sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Uma historia de corações

Classificávamos este como complicado, a primeira impressão que nos transmite é ser uma pedra de gelo, não apenas frio como também duro consigo e com os outros, porem nos é permitido ir mais afundo deste coração pobre-nobre e indo mais afundo encontrar-se-a um coraçãozinho com tons de vermelho-vinho-arouxinado isto devido aos hematomas a ele proporcionados este coraçãozinho encontrar-se-ia congelado pela camada de frieza que lhe envolve porem é perceptível que ao menor sinal de altas temperaturas rodeando-o este derrete-se por inteiro, a começar pelo gelo e seguindo pra isto que chamamos anteriormente de vermelho-vinho-arouxinado que quando derretido tem textura liquida supersaturada e quando fria torna-se um sólido frágil, mas vamos dar nome a este que chamamos vermelho-vinho-arouxinado que desde já me agonia, intitulá-lo-emos parafina afinal é seu nome cientifico. Já sabendo o quão complicado é este pobre-nobre coração acarreta-se o fato de que devemos ter muito cuidado ao lidar com o mesmo, afinal vocês hão de convir que no fundo no fundo ele é apenas mais um sólido frágil que ao tocar o chão, após uma longa queda, pode fragmentar-se por completo, o que ocorre me agora que aconteceria também a um coração de pedra e que os fragmentos seriam menores portanto a dor seria maior.

Procede-se porem que este coração que acabo de vos apresentar encontrou outro coração que se encaixa perfeitamente a ele, mas devo alertar-lhes que este é um tipo de coração também muito difícil de lidar, difícil porque embora tenha certa fragilidade tem medo de admiti-la, este coração que agora vos falo é de pedra, bruta e por vezes fria esquecendo quão boa é a sensação de estar quente, mas ainda assim encaixava-se perfeitamente a parafina.

O que se sucedeu, embora ninguém possa ter absoluta certeza quanto à data, tudo que se sabe a respeito é que como não eram descartáveis estes corações resolveram se juntar para que um encaixa-se no outro, sendo assim perfeitos um para o outro, porem essa perfeição provocara no vale olhares curiosos e invejosos de outros coraçõeszinhos solitários que por ali habitavam, o que ocorrera depois foi que a todo custo tentaram separar aqueles dois corações de encaixe perfeito foi quando um brilhante cabeça oca ateou fogo sobre os corações, com o intuito de derreter a parafina para que esta fosse embora, porem como já lhes disse era mesmo um cabeça oca que o fizera e para sua surpresa a parafina agarrou-se a pedra dizendo que nada nunca poderia separa-las mesmo sobre a dor de estar derretendo, e esta dor cegou-a de um modo que não via o que estava fazendo, quando tudo se acalmou e todos puderam ver claramente o que acontecera: o cabeça oca frustrou-se pois sua tentativa de separar a pedra e a parafina só serviu pra que elas se unissem ainda mais, agora tínhamos uma pedra envolvida por parafina, o que podemos considerar, um só coração.

Duas almas, apenas um coração, Meu coração, teu! Teu coração, meu! A ordem agora já não tem importância.


*Qualquer semelhança com a realidade é mera 'coincidência'*