quinta-feira, 4 de maio de 2017

O ensinamento das verdades da vida lacrimeja louco
no meio tempo em que o sentimento não é pouco.

Eu sempre fui composta de rimas pobres, frases quebradas e textos engavetados.
Não 
Uma vida reproduzindo frases que traduziam sentimentos meus
Ou uma vida toda projetando sentimentos que couberam nessas frases feitas. -um clichê.

sempre precisar voltar ao primeiro amor e o que levou a ele pra reafirmar minha existência errante.
Pudera eu carregar comigo algum arrependimento, não o sinto.
Sentir
sem ti
senti
sinto muito
E é tão patético e poético o jeito que meu corpo tem de reproduzir o cheiro teu pra cessar minha saudade.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Passa/tempo

tempo se conta em passos
tanto o balbuciado
quanto o acometido.
é coisa transpassada
o que carrega o peito.
(...)
depois de tudo,
quase mudo,
anda calado.
uma nova dança
quicá outra direção
qual o primeiro passo?
quem estará contando o tempo
quem estará o ouvindo
e o que ele terá dito.
como será o seu canto?
E o que será que fazem agora
aqueles que outrora
preencheram as estantes
de uma editora de afetos.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Aqarids Delta

Julho de doismiledezesseis e tudo que eu podia pensar era na falsa sensação de abandono que habitava meu ser. Confusa, inconstante, bêbada e com maltratos do sentir. Eu sempre odiei julho, é o mês mais frio por essas bandas. A geada mata a pouca vida que ainda habita meu quintal, mas nesse julho me mantive aquecida com o fogo que habita teu olhar, menina moça forasteira. Não fosse o coração dilacerado de tanto entender errado as intenções das pessoas, fantasiar demais sobre tudo que poderia ter sido, nunca teria te tirado pra dançar. A dança das fumaças se misturando pra virar uma nuvem só. Uma nuvem pode se tornar metáfora pra tanta coisa, mas nuvens carregam energia, som, luz e reticências.
Ouvi outro dia em uma canção que cigarros são poemas pra quem nunca sabe o que falar, quem disse isso nunca cruzou com teu olhar. Então poeme-se, menina moça da alma bonita.
Outro dia podia fumar lá fora, o fora de dentro, treme chão, e o som da banda estava tão alto que era impossível ouvir todas as palavras que pronunciava, então pra tentar te compreender me detive atenta a cada movimento da tua boca. Tua boca, aqui do outro lado da mesa parece uma mistura de todas as que já beijei, o formato da tua bochecha e do sorriso se armando segue a mesma linha de quem a pouco eu muito amei. Posso me confundir entre o que é você e o que eu inventei mas de uma coisa eu tenho certeza: nos teus caixinhos bagunçados eu perco a linha e viro reticências...

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Sinal ou não sinal, é uma charada interpessoal. A poça d'Água tá ali, é individual demais o olhar, quando em um ponto escolho enxergar só a lama decantada e outrora vejo o reflexo do céu, das luzes e das estrelas. In di vi du al demais. É a velha história do olho do observador interferir no objeto observado. 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Perdoa as minhas rimas pobres.

As horas escorrem nos ponteiros cansados dos relógios esquecidos pelo tempo, ter mais do que necessário não me seria ruim se não tivesse, mas tenho. 
Ser, a questão, tudo aquilo que não quero. As paredes brancas roubam minhas ideias coloridas, me ser já não faz mais o mesmo sentido. 
Sem 
ti 
dô.
E é o dó que vem sustenido, sem sentido. Brincar com as palavras, já que não brinco mais contigo. Eis o que me resta, eis o que me agrada. 
Brincar com as palavras pela madrugada, o suor da solidão. Os textos desfigurados em minha cabeça não mais ficarão. 
É no meu canto que me encanto com a falta de pranto. Pois já me foi o tempo dos espantos com tantos outros cantos. 
Solo, restarei. 
O sol na multidão transformando lama em poeira, não me queira. 
A minha luta já é outra. 

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Passeio meus olhos de ressaca sobre sua pele indecisa, continuamos aqui. Seu jeito de levar a vida abstratamente ainda me deixará insana e mesmo sabendo disso continuo aqui, louca que já sou. E ficaria mais, se tivesse a certeza de que isso nos fizesse maior. Preciso correr - se não corro, não morro - é preciso morrer. De amor, do que for. Até de dor. 
Na bagunça ritmada do compasso do teu peito eu me perco, no suor do seu cabelo enrolado as três da manhã encontro vontade de continuar viva, no passo apático do seu som faço a morada da minha loucura. No baixinho do seu baixo encontro a paz que não sei lidar. No afago do seu abraço eu sei que é o meu lugar, mas você não vem. E eu não vou, então ficamos assim, perto e distante.  
 Gostoso mesmo era quando passeava seu olhar sob os meus olhos sem medo do que viria na manhã seguinte, mas minha bomba relógio explodiu e te levou pra longe. 

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Das cartas que não foram entregues.

Me perdoe a falta de lógica na escrita, ando com a cabeça fora de órbita. Eu realmente não deveria lhe responder, e não vou fazê-lo diretamente pois você sabe aonde encontrar as respostas que quer de mim... 
Sobre seu pagamento de pecados: o inferno realmente é aqui na terra e todos os humanos estão fadados a encarar as consequência dos atos. Efeito colateral existe e nem sempre é do nosso agrado. 
Que amor só é amor quando é eterno eu concordo mas não é bonito quando amor também tem um quê de abandono e decepções, não que o nosso tenha sido só isso mas tanto eu quanto você tivemos nossos dias de polo negativo. Eu sou e serei eternamente grata pelos nossos dias felizes. Pelos tristes também, ao menos estes servem de ensinamento. Saber separar liberdade de libertinagem é uma coisa muito importante e muito complicada. Ninguém ensina essa pira de amor livre. Eu também não sei. Cada um tem seu tempo e seu jeito de se matar. Outra coisa que queria poder dizer é que você foi meu primeiro amor e ninguém nunca vai ser capaz de arrancar isso de você, nem de mim. E isso talvez seja um fardo muito grande que eu e você carregamos.
Sem mais, despeço-me lhe desejando boas vibrações afinal somos apenas um pequenino pedaço de matéria vagando pelo universo.