"E foi pensando no outro lado que, para um lado imprevisto, acabaram se dirigindo meus pensamentos. Imprevisto, mas não inusitado, já que ela era um pensamento recorrente.
Ela...
Sem cerimônia, Ela se aproveitou da deixa e invadiu meus pensamentos. De novo. Ou arranhou de leve meu interior só para me lembrar de que ainda se encontrava lá.
Ela, que certa vez esteve do outro lado de mim... "
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
domingo, 5 de dezembro de 2010
sábado, 30 de outubro de 2010
"Naquela manhã, porém, o enigma do livro no pão doce não foi a única coisa que ocupou meus pensamentos. Aliás, mais do que isso, uma outra coisa colaborava para aumentar a inquietação que eu vinha experimentando: entendi, de repente, que as pessoas no mundo inteiro eram tão desligadas das coisas que as cercavam quanto os indolentes anõezinhos da ilha mágica.
Vivemos nossas vidas num incrível mundo de aventuras, pensei. Apesar disso, a grande maioria das pessoas considera tudo isso "normal". Em compensação, vivem em busca de algo fora do normal: anjos ou então marcianos. E isso se explica pelo simples fato de que elas não consideram um enigma o mundo em que vivem. Para mim a coisa era completamente diferente. Para mim, o mundo era um sonho muito estranho, e eu vivia em busca de uma explicação racional qualquer para esse sonho.
E enquanto fiquei parado ali, observando o céu ir mudando de cor, primeiro cada vez mais vermelho, e depois cada vez mais claro, experimentei uma coisa que jamais havia experimentado antes; um sentimento que desde então nunca mais me deixou: lá estava eu na frente da janela da cabine de um navio, eu, um ser enigmático, vivo, mas que apesar disso nada sabia de si. Experimentei a sensação de ser uma criatura viva num planeta vivo dentro de uma Via Láctea. Talvez já tivesse consciência disso antes, pois esse era um tema que já tinha sido abordado várias vezes dentro da educação que eu vinha recebendo. Mas aquela era a primeira vez que eu sentia aquilo tudo por mim mesmo. E aquele sentimento se instalou em cada célula do meu corpo.
Percebi meu corpo como algo estranho, desconhecido. Como era possível que eu estivesse ali, na cabine de um navio pensando todas aquelas coisas estranhas? Como é que no meu corpo cresciam a pele e as unhas? Tudo isso para não falar dos dentes! Como era possível que esmalte e marfim pudessem crescer dentro da minha boca? Eu não conseguia entender que essas partes duras do meu corpo eram eu mesmo. Mas sobre essas coisas... bem, sobre essas coisas as pessoas só pensavam quando tinham de ir ao dentista!
Não conseguia entender como as pessoas conseguiam viver neste mundo sem se perguntarem, ao menos de vez em quando, quem eram e de onde tinham vindo. Como era possível fechar os olhos à vida neste planeta, ou então considerá-la "evidente"?
Os muitos pensamentos e sentimentos que tomaram conta de mim naquele momento deixavam-me alegre e triste ao mesmo tempo. Eles eram os grandes culpados por eu experimentar de repente uma sensação de solidão profunda; ao mesmo tempo, de alguma forma eu sabia que aquela solidão só podia me fazer bem.
Apesar de tudo, fiquei contente ao ouvir meu pai se espreguiçar e soltar um daqueles seus bocejos que mais parecem o rugido de um leão. Antes de ele saltar da cama, ainda tive tempo de refletir um pouco sobre como é importante ter os olhos bem abertos para tudo, mas que não existe nada mais importante do que estar na companhia de alguém que a gente ama."
Vivemos nossas vidas num incrível mundo de aventuras, pensei. Apesar disso, a grande maioria das pessoas considera tudo isso "normal". Em compensação, vivem em busca de algo fora do normal: anjos ou então marcianos. E isso se explica pelo simples fato de que elas não consideram um enigma o mundo em que vivem. Para mim a coisa era completamente diferente. Para mim, o mundo era um sonho muito estranho, e eu vivia em busca de uma explicação racional qualquer para esse sonho.
E enquanto fiquei parado ali, observando o céu ir mudando de cor, primeiro cada vez mais vermelho, e depois cada vez mais claro, experimentei uma coisa que jamais havia experimentado antes; um sentimento que desde então nunca mais me deixou: lá estava eu na frente da janela da cabine de um navio, eu, um ser enigmático, vivo, mas que apesar disso nada sabia de si. Experimentei a sensação de ser uma criatura viva num planeta vivo dentro de uma Via Láctea. Talvez já tivesse consciência disso antes, pois esse era um tema que já tinha sido abordado várias vezes dentro da educação que eu vinha recebendo. Mas aquela era a primeira vez que eu sentia aquilo tudo por mim mesmo. E aquele sentimento se instalou em cada célula do meu corpo.
Percebi meu corpo como algo estranho, desconhecido. Como era possível que eu estivesse ali, na cabine de um navio pensando todas aquelas coisas estranhas? Como é que no meu corpo cresciam a pele e as unhas? Tudo isso para não falar dos dentes! Como era possível que esmalte e marfim pudessem crescer dentro da minha boca? Eu não conseguia entender que essas partes duras do meu corpo eram eu mesmo. Mas sobre essas coisas... bem, sobre essas coisas as pessoas só pensavam quando tinham de ir ao dentista!
Não conseguia entender como as pessoas conseguiam viver neste mundo sem se perguntarem, ao menos de vez em quando, quem eram e de onde tinham vindo. Como era possível fechar os olhos à vida neste planeta, ou então considerá-la "evidente"?
Os muitos pensamentos e sentimentos que tomaram conta de mim naquele momento deixavam-me alegre e triste ao mesmo tempo. Eles eram os grandes culpados por eu experimentar de repente uma sensação de solidão profunda; ao mesmo tempo, de alguma forma eu sabia que aquela solidão só podia me fazer bem.
Apesar de tudo, fiquei contente ao ouvir meu pai se espreguiçar e soltar um daqueles seus bocejos que mais parecem o rugido de um leão. Antes de ele saltar da cama, ainda tive tempo de refletir um pouco sobre como é importante ter os olhos bem abertos para tudo, mas que não existe nada mais importante do que estar na companhia de alguém que a gente ama."
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Cada vez mais lento eu derramava meus passos sob aquela noite fria.
Cada passo revelava uma vontade, um drama, uma saudade.
cada passo revelava um pedaço de mim.
Esses passos bebados que só me levam a um destino
Esses passos mal guiados que cedem facílmente a qualquer travessura do destino
só me mostram o que eu sempre soube:
Ser sozinho rende o mundo,
mas me parece tão pequeno...
Cada passo revelava uma vontade, um drama, uma saudade.
cada passo revelava um pedaço de mim.
Esses passos bebados que só me levam a um destino
Esses passos mal guiados que cedem facílmente a qualquer travessura do destino
só me mostram o que eu sempre soube:
Ser sozinho rende o mundo,
mas me parece tão pequeno...
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
— Mulher sem homem acaba tão complexada, tão infeliz. Com homem também, tenho ganas de dizer-lhe e dar-lhe o capulho na mão.
— Complexada porque todo mundo fica enchendo a sacola. Não é o caso da Lorena, não estou mais pensando nela, estou pensando só nisto, já é tão difícil crescer, ser amado por aquele que a gente ama. E tem que vir alguém determinar o sexo do amor.
— Complexada porque todo mundo fica enchendo a sacola. Não é o caso da Lorena, não estou mais pensando nela, estou pensando só nisto, já é tão difícil crescer, ser amado por aquele que a gente ama. E tem que vir alguém determinar o sexo do amor.
Mastigo mais um bombom.
— Não quero ser rude, mãezinha, mas acho completamente absurdo se preocupar com isso. A senhora falou em crueldade mental Olha aí a crueldade máxima, a mãe ficar se preocupando se o filho ou filha é ou não homossexual. Entendo que se aflija com droga e etcétera mas com o sexo do próximo? Cuide do próprio e já faz muito, me desculpe, mas fico uma vara com qualquer intromissão na zona sul do outro, Lorena chama de zona sul A norte já é tão atingida, tão bombardeada, mas por que as pessoas não se libertam e deixam as outras livres? Um preconceito tão odiento quanto o racial ou religioso. A gente tem que amar o próximo como ele é e não como gostaríamos que ele fosse.
— Não quero ser rude, mãezinha, mas acho completamente absurdo se preocupar com isso. A senhora falou em crueldade mental Olha aí a crueldade máxima, a mãe ficar se preocupando se o filho ou filha é ou não homossexual. Entendo que se aflija com droga e etcétera mas com o sexo do próximo? Cuide do próprio e já faz muito, me desculpe, mas fico uma vara com qualquer intromissão na zona sul do outro, Lorena chama de zona sul A norte já é tão atingida, tão bombardeada, mas por que as pessoas não se libertam e deixam as outras livres? Um preconceito tão odiento quanto o racial ou religioso. A gente tem que amar o próximo como ele é e não como gostaríamos que ele fosse.
— Mas não quero resposta, quero ficar só. Gosto muito das pessoas mas essa necessidade voraz que as vezes me vem de me libertar de todos. Enriqueço na solidão: fico inteligente, graciosa e não esta fera ressentida que me olha do fundo do espelho. Ouço duzentos e noventa e nove vezes o mesmo disco, lembro poesias, dou piruetas, sonho, invento, aluo todos os portões e quando vejo a alegria esta instalada em mim.
— Deixa então só o Che mas repense sobre Luther King. Antigamente a santidade era vista como o máximo da penitência, caridade, aquilo que você sabe. Mudou tudo. Hoje um cristão não pode alcançar a salvação da alma sem servir objetivamente à sociedade. Não sei explicar, mas todo aquele que luta com plena consciência para ajudar alguém em meio da ignorância e da miséria, todo aquele que através dos seus instrumentos de trabalho, do seu ofício der a mão ao vizinho, é santo. Os caminhos podem ser tortos, não interessa. É santo.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
— Na minha casa tem um relógio igual.
— Você tem saudade, Lia?
— Não sei explicar, mas lá é como este café adocicado e quente. Minha mãe chegava a me abafar com tanto amor, preferia às vezes que me amasse menos. O velho disfarçando com carrancas, tios e tias estourando por todos os lados com os batalhões dos primos. Aconchegos, festinhas. Lembro de todos, amo todos mas não tenho vontade de voltar. Isso é saudade? Foi um período que se encerrou. Aqui começou outro e agora vai começar um terceiro período e então fico com esses dois períodos pra lembrar. Será saudade?
— Você tem saudade, Lia?
— Não sei explicar, mas lá é como este café adocicado e quente. Minha mãe chegava a me abafar com tanto amor, preferia às vezes que me amasse menos. O velho disfarçando com carrancas, tios e tias estourando por todos os lados com os batalhões dos primos. Aconchegos, festinhas. Lembro de todos, amo todos mas não tenho vontade de voltar. Isso é saudade? Foi um período que se encerrou. Aqui começou outro e agora vai começar um terceiro período e então fico com esses dois períodos pra lembrar. Será saudade?
(...)horrível pensar isso mas agora já pensei e estou pensando ainda que se Deus não está lá é porque deve ter suas razões.
— Ah. Sou um monstro. Monstro. Queria tanto ser diferente, mas queria tanto.
E esta vocação para a mesquinharia. Ai meu São Francisco, minha Santa Teresa, son tan escuras de entender estas cosas interiores.
— Ah. Sou um monstro. Monstro. Queria tanto ser diferente, mas queria tanto.
E esta vocação para a mesquinharia. Ai meu São Francisco, minha Santa Teresa, son tan escuras de entender estas cosas interiores.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Bom é ficar olhando a sala iluminada de um apartamento lá adiante, as pessoas tão inofensivas na rotina. Comem e não vejo o que comem. Falam e não ouço o que dizem, harmonia total sem barulho e sem braveza. Um pouco que alguém se aproxime e já sente odores. Vozes. Um pouco mais e já nem é espectador, vira testemunha. Se abre o bico para dizer boa noite passa de testemunha para participante. E não adianta fazer aquela cara de nuvem se diluindo ao largo porque nessa altura já puxaram a nuvem para dentro e a janela-guilhotina fechou rápida. Eram laços frouxos? Viraram tentáculos. Ah, que alegria quando fico aqui sozinha. Sozinha. Como chupar escondida um cacho de uvas.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
"Coisas assim, você sabe? Eu, sim: amar o mesmo de si no outro às vezes acorrenta, mas quando os corpos se tocam as mentes conseguem voar para bem mais longe que o horizonte, que não se vê nunca daqui. No entanto, é claro lá: quando os corpos se tocam depois de amar o mesmo de si no outro. Portanto, não se olham. E não sou eu quem decide, são eles. Não se deve olhar quando olhar significa debruçar-se sobre um espelho talvez rachado. Que pode ferir, com seus cacos deformantes."
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Eu sou assim, desejos pequenos.
sem muitos planos.
o presente e o passado já me pregam peças o suficiente
e depois o futuro é cheio de terrenos enganosos mesmo.
Preocupações pequenas, como se o prato vai sair da cozinha no tempo certo.
como o bolo ficar com a casquinha perfeita e macio de dar água na boca.
ano que vem? eu não sei, eu não sei.
deixa pintar, tudo flui.
mesmo que só depois de muito tempo possamos compreender.
as pessoas, as escolhas, os momentos.
amanhã tem aquele sol odioso nessa cidade freakshow
e nenhum de nós sabe se vamos estar vivos quando ele completar seu ciclo diário.
paisagens e passagens pequenas.
a garrafa de cerveja roubando o lugar do vaso e refletindo o anel de brilhantes
transpassa, ilumina o nariz de palhaço.
Palhaça que sou.
te roubaria o riso até o fim da vida.
É tudo pequeno agora.
pequenos passos que levam a direções incertas.
pequenos sorrisos pequenas palavras, pequenos beijos,
é tudo pequeno agora.
Pequenos pensamentos que não deveriam existir
no final desse agosto que leva algumas lágrimas.
pequenos gestos, pequenos toques.
pequenas palavras.
e uma imensidão de incompreensões.
porque agosto acabou e deveriamos estar amadurecendo
sem muitos planos.
o presente e o passado já me pregam peças o suficiente
e depois o futuro é cheio de terrenos enganosos mesmo.
Preocupações pequenas, como se o prato vai sair da cozinha no tempo certo.
como o bolo ficar com a casquinha perfeita e macio de dar água na boca.
ano que vem? eu não sei, eu não sei.
deixa pintar, tudo flui.
mesmo que só depois de muito tempo possamos compreender.
as pessoas, as escolhas, os momentos.
amanhã tem aquele sol odioso nessa cidade freakshow
e nenhum de nós sabe se vamos estar vivos quando ele completar seu ciclo diário.
paisagens e passagens pequenas.
a garrafa de cerveja roubando o lugar do vaso e refletindo o anel de brilhantes
transpassa, ilumina o nariz de palhaço.
Palhaça que sou.
te roubaria o riso até o fim da vida.
É tudo pequeno agora.
pequenos passos que levam a direções incertas.
pequenos sorrisos pequenas palavras, pequenos beijos,
é tudo pequeno agora.
Pequenos pensamentos que não deveriam existir
no final desse agosto que leva algumas lágrimas.
pequenos gestos, pequenos toques.
pequenas palavras.
e uma imensidão de incompreensões.
porque agosto acabou e deveriamos estar amadurecendo
"É no varejo do dia a dia, para quem pisa nesse chão semântico, pavimentado de símbolos e metáforas, que a vida vai traçando as possíveis rotas de mudança. Oferecendo ao andante o licor da arte, às vezes doce, outras vezes amargo e, nos momentos mais cruentos, oferecendo-lhe a mão da poesia para segurar a metáfora em que se escorar."
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Eu ponho meus pés pra fora da cama e me sinto caminhando sobre colchões. Eles dizem que uma coisa qualquer desencadeou todos os sintomas de agora.
Uma coisa qualquer
Uma pessoa qualquer
Um sonho mediocre, a falta de apetite, a temperatura que cai, as facadas na cabeça, as maos que suam, a insonia permanente...
Então, qual o meu problema?
O que se passa na minha cabeça?!
Com arma é ilegal, o nó pode ceder e gás cheira mal: tanto vale viver
(perdi a fonte, alguem?)
Uma coisa qualquer
Uma pessoa qualquer
Um sonho mediocre, a falta de apetite, a temperatura que cai, as facadas na cabeça, as maos que suam, a insonia permanente...
Então, qual o meu problema?
O que se passa na minha cabeça?!
Com arma é ilegal, o nó pode ceder e gás cheira mal: tanto vale viver
(perdi a fonte, alguem?)
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
"O rio corre de século em século e as histórias dos homens se desenrolam na margem. Acontecem para ser esquecidas amanhã e para que o rio não pare de correr."
"Lembrou-se do célebre mito do Banquete de Platão: antigamente os seres humanos eram hermafroditas, até que Deus os separou em duas metades, que a partir daí erram pelo mundo e se procuram. O amor é o desejo dessa metade perdida de nós mesmos."
"Lembrou-se do célebre mito do Banquete de Platão: antigamente os seres humanos eram hermafroditas, até que Deus os separou em duas metades, que a partir daí erram pelo mundo e se procuram. O amor é o desejo dessa metade perdida de nós mesmos."
"Em trabalhos práticos de física, qualquer aluno pode fazer experimentos para verificar a exatidão de uma hipótese científica. Mas o homem, porque não tem senão uma vida, não tem nenhuma possibilidade de verificar a hipótese através de experimentos, de maneira que não saberá nunca se errou ou acertou ao obedecer a um sentimento"
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Conversas de cozinha
- Dizem que o fogão é como a cara do cozinheiro, as facas são a alma...
- E a geladeira, o que é? o coração?
- talvez, quem sabe..
- Os insumos, os insumos são o coração..
- pior que é verdade.
- a gente frita o coração e manda para os comensais...
muitos risos.
- E a geladeira, o que é? o coração?
- talvez, quem sabe..
- Os insumos, os insumos são o coração..
- pior que é verdade.
- a gente frita o coração e manda para os comensais...
muitos risos.
sábado, 7 de agosto de 2010
Para ler ao som de You've got her in your pocket - The White Stripes.
Jambu?
Sinto como se tivesse mastigado mil folhas de jambu. amortece, sabia?
não? agora sabe.
Nosso amor foi um engano.
Não tente me convencer do contrario porque os carros continuam passando e esta ficando tarde pra brincar e sofrer desse jeito.
Eu queria poder apagar a imagem de você dormindo no meu colo quente dentro daquele carro, no carnaval. seria mais fácil do que ter a idéia que só me ocorreu agora que você tirou a venda dos meus olhos, esse amor que me cegou, me sugou, durante tanto tempo, você estava comigo mas já pensava em outra.
Será que a vida vai continuar sendo assim pra mim? esse circulo de enganos que não quebra nunca? ou será que esse amor é o que te traz de volta pra mim todas as vezes?
Minha unica certeza era o que eu sentia e agora eu vejo tudo isso como uma mentira.
Eu nem te conheço direito. E não me conheço também e eu acho que é isso que faz com que minhas pernas tremam só de pensar em esbarrar com você por aí. você me tira o chão. Você me dói, PORQUE? meu deus, porque? porque depois de todo esse tempo e de todas essas incompreensões eu não consigo não gostar de você, nem seguir em frente?
porque meu corpo ainda busca o teu, ainda pede pelo teu nas noites frias, e nas quentes também! Porque irremediavelmente eu ainda te amo e espero teu ombro?
O ombro de uma pessoa que não existe mais. existe somente em mim, nas minhas fantasias.
que merda, EU SOU TÃO SUA. QUE M E R D A.
e eu não consigo te odiar por mais que você me fira.
I wish I could have make this last forever, you and me.
Tudo que eu tenho agora é um coração partido, um trabalho que me acalma e uma vaga numa pensão dessa cidade odiosa, e vai ficar tudo bem, tem que ficar tudo bem.
essa paina passeando perto do meu pé me dá uma saudade filhadaputa de casa e do tempo que eu não tinha olhos pra outro alguém se não pra mim, até você aparecer e me levar pra lugares incríveis dentro de mim e cuidar de mim como ninguém nunca havia.
Quanta mentira adocicada.
Agora que o açúcar acabou só me resta inventar todos os dias um novo motivo pra continuar. Em terra, em mar, faça sol ou faça chuva. E é o que tenho feito, mas quando amanhece nublado não consigo pentear meus pensamentos. Você é o nó que eu não consigo desfazer. Por isso hoje, de uma vez por todas resolvi cortar os pensamentos.
1104, casa. 1527 trabalho, 1300 estudo. e eu vou continuar indo pra esses lugares, vazia, boba, burra, alienada pra quem sabe ser feliz, até que alguém ou alguma coisa apareça e me faça perceber que a vida é mais que esses caminhos simples que eu faço. até você aparecer com as suas suspeitas, suas idéias confusas e suas teorias e seus abraços demorados, meu deus como eu queria morar nos teus braços. até que você apareça me dê esperanças e depois mate todas elas pra poder quem sabe se sentir mais viva.
Porque no fundo, no fundo, a vida é mesmo esse circulo de enganos que sempre deixa sede no fim. E o meu engano preferido foi ontem e é hoje: você.
e amanhã a gente não sabe...
Mas eu estou esperando que tenha sol. Dentro de mim, pra que eu possa continuar boba, burra, alienada, com um monte de frases(zinhas) encorajadoras, ou não. e Feliz, COMPLETAMENTE FELIZ.
Jambu?
Sinto como se tivesse mastigado mil folhas de jambu. amortece, sabia?
não? agora sabe.
Nosso amor foi um engano.
Não tente me convencer do contrario porque os carros continuam passando e esta ficando tarde pra brincar e sofrer desse jeito.
Eu queria poder apagar a imagem de você dormindo no meu colo quente dentro daquele carro, no carnaval. seria mais fácil do que ter a idéia que só me ocorreu agora que você tirou a venda dos meus olhos, esse amor que me cegou, me sugou, durante tanto tempo, você estava comigo mas já pensava em outra.
Será que a vida vai continuar sendo assim pra mim? esse circulo de enganos que não quebra nunca? ou será que esse amor é o que te traz de volta pra mim todas as vezes?
Minha unica certeza era o que eu sentia e agora eu vejo tudo isso como uma mentira.
Eu nem te conheço direito. E não me conheço também e eu acho que é isso que faz com que minhas pernas tremam só de pensar em esbarrar com você por aí. você me tira o chão. Você me dói, PORQUE? meu deus, porque? porque depois de todo esse tempo e de todas essas incompreensões eu não consigo não gostar de você, nem seguir em frente?
porque meu corpo ainda busca o teu, ainda pede pelo teu nas noites frias, e nas quentes também! Porque irremediavelmente eu ainda te amo e espero teu ombro?
O ombro de uma pessoa que não existe mais. existe somente em mim, nas minhas fantasias.
que merda, EU SOU TÃO SUA. QUE M E R D A.
e eu não consigo te odiar por mais que você me fira.
I wish I could have make this last forever, you and me.
Tudo que eu tenho agora é um coração partido, um trabalho que me acalma e uma vaga numa pensão dessa cidade odiosa, e vai ficar tudo bem, tem que ficar tudo bem.
essa paina passeando perto do meu pé me dá uma saudade filhadaputa de casa e do tempo que eu não tinha olhos pra outro alguém se não pra mim, até você aparecer e me levar pra lugares incríveis dentro de mim e cuidar de mim como ninguém nunca havia.
Quanta mentira adocicada.
Agora que o açúcar acabou só me resta inventar todos os dias um novo motivo pra continuar. Em terra, em mar, faça sol ou faça chuva. E é o que tenho feito, mas quando amanhece nublado não consigo pentear meus pensamentos. Você é o nó que eu não consigo desfazer. Por isso hoje, de uma vez por todas resolvi cortar os pensamentos.
1104, casa. 1527 trabalho, 1300 estudo. e eu vou continuar indo pra esses lugares, vazia, boba, burra, alienada pra quem sabe ser feliz, até que alguém ou alguma coisa apareça e me faça perceber que a vida é mais que esses caminhos simples que eu faço. até você aparecer com as suas suspeitas, suas idéias confusas e suas teorias e seus abraços demorados, meu deus como eu queria morar nos teus braços. até que você apareça me dê esperanças e depois mate todas elas pra poder quem sabe se sentir mais viva.
Porque no fundo, no fundo, a vida é mesmo esse circulo de enganos que sempre deixa sede no fim. E o meu engano preferido foi ontem e é hoje: você.
e amanhã a gente não sabe...
Mas eu estou esperando que tenha sol. Dentro de mim, pra que eu possa continuar boba, burra, alienada, com um monte de frases(zinhas) encorajadoras, ou não. e Feliz, COMPLETAMENTE FELIZ.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
quinta-feira, 29 de julho de 2010
pedaços da gente
Eu gosto de morrer, as vezes morrer é bom...
(Eu ainda vou chegar no ponto e nas palavras certas..)
As pessoas, a gente. a gente mente.
eu não acredito em ninguem,
então você não acredita em si?
eu não acredito em ninguem.. Porque as pessoas mentem, eu minto, você mente..
mas isso não faz diferença,as vezes, não faz
me dá a mão.
(...)
as pessoas se perdem, isso é ruim?
as pessoas se perdem e as vezes isso nem é tão ruim assim
as vezes elas encontram coisas interessantes..
você?
oque?
você encontrou algo interessante quando se perdeu?
eu?
de mim.
a gente se perdeu, uma da outra..
(...)
eu não quero me perder outra vez
se perder é desesperador...
eu não quero me perder denovo.
porque a gente se perdeu?
é normal..
é normal das pessoas se perder e se encontrar..
(...)
Me leva pra casa?
(.)
Eu gostava tanto de repousar a cabeça no teu ombro.
(Eu ainda vou chegar no ponto e nas palavras certas..)
As pessoas, a gente. a gente mente.
eu não acredito em ninguem,
então você não acredita em si?
eu não acredito em ninguem.. Porque as pessoas mentem, eu minto, você mente..
mas isso não faz diferença,as vezes, não faz
me dá a mão.
(...)
as pessoas se perdem, isso é ruim?
as pessoas se perdem e as vezes isso nem é tão ruim assim
as vezes elas encontram coisas interessantes..
você?
oque?
você encontrou algo interessante quando se perdeu?
eu?
de mim.
a gente se perdeu, uma da outra..
(...)
eu não quero me perder outra vez
se perder é desesperador...
eu não quero me perder denovo.
porque a gente se perdeu?
é normal..
é normal das pessoas se perder e se encontrar..
(...)
Me leva pra casa?
(.)
Eu gostava tanto de repousar a cabeça no teu ombro.
terça-feira, 27 de julho de 2010
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Mas esse ventinho na cara me faz esquecer o tempo ruim.
eu queria que a camera acompanhasse todo milésimo de segundo do que eu via a cada milésimo de milimetros, só assim eles entenderiam.
é o jeito que eu vejo as coisas, a intensidade do que eu sinto que me guia, que me faz continuar, ou não, que me traz esperanças novinhas em folha. E esse ventinho na cara me diz que tudo vai dar certo.
( o ventinho na cara de quando a geladeira fecha, você ri tão gostoso me mostrando algumas coisas pequenas assim que dá vontade de rir também, as vezes eu não consigo... tudo bem. vai passar, tô dizendo. assim como eu disse que você um dia ia ler o que eu tanto escrevo por aí. ou pelo menos uma parte disso.)
post dedicado a duda schawb.
eu queria que a camera acompanhasse todo milésimo de segundo do que eu via a cada milésimo de milimetros, só assim eles entenderiam.
é o jeito que eu vejo as coisas, a intensidade do que eu sinto que me guia, que me faz continuar, ou não, que me traz esperanças novinhas em folha. E esse ventinho na cara me diz que tudo vai dar certo.
( o ventinho na cara de quando a geladeira fecha, você ri tão gostoso me mostrando algumas coisas pequenas assim que dá vontade de rir também, as vezes eu não consigo... tudo bem. vai passar, tô dizendo. assim como eu disse que você um dia ia ler o que eu tanto escrevo por aí. ou pelo menos uma parte disso.)
post dedicado a duda schawb.
love it, or live it?
É que eu não gosto e tô cansada de meios termos. A vida tem sido tão resumida a 140 caractéres que eu ja nem sei mais se quero mesmo continuar aqui, mas eu não quero desacreditar afinal os grandes feitos só aconteem se a gente continua, não é mesmo? e depois todo mundo tem dúvidas, não tem?
E essa chuva, meu Deus, ESSA CHUVA! E as goteiras, porque tem as goteiras também, quem é que concerta? porque alguém vai, não vai?
Ali mesmo atrás dessa árvore de casca grossa que tem no meio da parte externa desse café cheio de poréns tem pessoas que compartilham o mesmo frio nas costas, o mesmo conhaque e quem sabe até pessoas em comum a gente tenha. Eles tem dúvidas também, não tem?
E eu tenho medo, tanto medo de lugares comuns, mas a vida é assim, não é? cheia de lugare-comum, tipo o conhaque o café e os cigarros...
Depois de um dia de pequenos fracassos quem é que não duvida de si? quem é? me diz. me conta esse segredo de vida feliz pra sempre, porque pra mim o pra sempre é agora!
E essa chuva, meu Deus, ESSA CHUVA! E as goteiras, porque tem as goteiras também, quem é que concerta? porque alguém vai, não vai?
Ali mesmo atrás dessa árvore de casca grossa que tem no meio da parte externa desse café cheio de poréns tem pessoas que compartilham o mesmo frio nas costas, o mesmo conhaque e quem sabe até pessoas em comum a gente tenha. Eles tem dúvidas também, não tem?
E eu tenho medo, tanto medo de lugares comuns, mas a vida é assim, não é? cheia de lugare-comum, tipo o conhaque o café e os cigarros...
Depois de um dia de pequenos fracassos quem é que não duvida de si? quem é? me diz. me conta esse segredo de vida feliz pra sempre, porque pra mim o pra sempre é agora!
domingo, 4 de julho de 2010
é como se eu estivesse constantemente vendo meu reflexo no vidro, e aí a luz apaga, do lado do vidro que eu estou
e não tem mais nada
eu não me vejo mais.
Esperando pelo elevador, me olhando na vidraça que divide o corredor da coordenação,
sempre fechada e com luz desligada, dessa maldita pensão eu vi.
ou melhor eu não vi.
a luz do meu lado apagou, apaga sempre, é automatica. apagou como se não tivesse ninguém ali
porque não havia movimento. nem vento. nem nada nem nada.
a luz apagou e meu reflexo sumiu, tudo que se pode ver é o que há do outro lado da vidraça.
alguém por favor acende a luz, que eu tenho medo do escuro e disso que dá de
não conseguir ver nem sombra nem reflexo..
eu preciso tanto de uma nova projeção.
e não tem mais nada
eu não me vejo mais.
Esperando pelo elevador, me olhando na vidraça que divide o corredor da coordenação,
sempre fechada e com luz desligada, dessa maldita pensão eu vi.
ou melhor eu não vi.
a luz do meu lado apagou, apaga sempre, é automatica. apagou como se não tivesse ninguém ali
porque não havia movimento. nem vento. nem nada nem nada.
a luz apagou e meu reflexo sumiu, tudo que se pode ver é o que há do outro lado da vidraça.
alguém por favor acende a luz, que eu tenho medo do escuro e disso que dá de
não conseguir ver nem sombra nem reflexo..
eu preciso tanto de uma nova projeção.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
domingo, 13 de junho de 2010
sendo assim
sabe quando dá vontade de jogar tudo pro alto e voltar pro colo da mamãe? então, tenho tido dias assim, tenho tido vontades assim, porque aqui onde o sol mal-nasce e já se põe ninguém liga se você tem olheiras fundas de noites mal dormidas, ou quase manda o pulmão pra fora quando tosse por conta de uma maldita bronquite bacteriana que chegou por um descuido e que voltou por mil descuidos.
Eu sempre soube não sentir saudade, ou descontar essa saudade em outra coisa, abstrair, esquecer. mas é tanta que não daria pra esconder nem na montanha mais alta que a gente via dividindo espaço com uma daquelas tantas indas e vindas do sol que a cada dia se mostrava diferente e tão diferente que não dava pra especificar o mais bonicto.
eu tô com saudade de casa.
Eu sempre soube não sentir saudade, ou descontar essa saudade em outra coisa, abstrair, esquecer. mas é tanta que não daria pra esconder nem na montanha mais alta que a gente via dividindo espaço com uma daquelas tantas indas e vindas do sol que a cada dia se mostrava diferente e tão diferente que não dava pra especificar o mais bonicto.
eu tô com saudade de casa.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
E eu voltei a pensar nisso naquela maldita cadeira do curso de francês..
cinco quadras, casa. Duas quadras, trabalho. Três quadras, escola. É só isso que eu tenho agora, nada além, nenhum banco de praça movimentado, nenhuma escadaria velha, nenhum ponto de ônibus. Cinco quadras, casa. Duas quadras, trabalho. e não importa muito se um estranho te aponta uma arma no meio disso, é tudo que eu tenho. a não ser que você queira levar minha bronquite e minha dor no peito, moço. é tudo que eu tenho.
cinco quadras, casa. Duas quadras, trabalho. Três quadras, escola. É só isso que eu tenho agora, nada além, nenhum banco de praça movimentado, nenhuma escadaria velha, nenhum ponto de ônibus. Cinco quadras, casa. Duas quadras, trabalho. e não importa muito se um estranho te aponta uma arma no meio disso, é tudo que eu tenho. a não ser que você queira levar minha bronquite e minha dor no peito, moço. é tudo que eu tenho.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
...
Escrevi a algum tempo atrás pra, bom... Pra talvez me livrar da dor que eu sentia que eu não sei até hoje se é dor de falta ou dor de "se"...
Era agosto e eu passei agosto inteiro esperando por setembro assim como passaria também setembro inteiro esperando outubro e assim continuamente ao longo dos doze meses que viriam pela frente. Já era algo corriqueiro nos meus dezesseis quase dezessete anos de vida. Agosto era um mês fácil de atravessar, diferente de setembro, para atravessar setembro era preciso muita paz de espírito, talvez assim fosse pelas memórias doloridas de inicio de primavera e também da temporada do clube e que agora, sem Renan, não tinha mais o menor sentido. Todas aquelas pessoas ao meu redor, aquelas que também faziam parte da vida de Renan, me botavam medo, angustia, desespero, pois elas pareciam ter uma vida normal, mesmo que sem Renan, o que eu não conseguia. Sentia-me sempre, depois que Renan partirá, sem um porto, sem um norte, sem sentido, não prestando atenção em nada, olhava para tudo com tanto desdém e meus olhos já não brilhavam. Parecendo sempre estar dentro de uma bolha flutuando sem parar, não via magia alguma em lugar algum, sempre fria, bruta, infeliz por dentro e por fora. Eu atravessava esses meses que aos poucos, tão lentamente se transformavam em bimestres escolares, trimestres empresariais, semestres de cursinho, inglês e aulas extras; e tão aos poucos se transformavam em anos, que se arrastavam e sem Renan, não pareciam passar. E eu tão pateticamente continuava ali no meio daquele mofo, daquela bolha, sem Renan, mas com tudo que um dia já fora dele. Às vezes, eu sentia seu cheiro e via partes que eram dele, nos outros, e quando acontecia isso me doía, meu calo latejava loucamente, assim como todas as cicatrizes latejam em dias chuvosos de agosto, ao longo desse lento e arrastado pouco mais de ano e meio e dos tantos mais que viriam sem Renan temo que a lembrança do seu rosto, corpo, alma e gigante coração desapareçam de mim.
... Talvez nós só estivéssemos assustados, assustados demais pra perceber que a dor não é da perda e sim do susto porque a gente sabe que um dia ou outro vai perder.
Talvez a gente só tenha crescido e a vida foi nos levando pra longe das brincadeiras que agora achamos sem graça. Mas ainda assim aqueles primeiros dias, meses, momentos sem ele atormentavam bastante.
Ou talvez ele fizesse mesmo essa falta enorme.
Era agosto e eu passei agosto inteiro esperando por setembro assim como passaria também setembro inteiro esperando outubro e assim continuamente ao longo dos doze meses que viriam pela frente. Já era algo corriqueiro nos meus dezesseis quase dezessete anos de vida. Agosto era um mês fácil de atravessar, diferente de setembro, para atravessar setembro era preciso muita paz de espírito, talvez assim fosse pelas memórias doloridas de inicio de primavera e também da temporada do clube e que agora, sem Renan, não tinha mais o menor sentido. Todas aquelas pessoas ao meu redor, aquelas que também faziam parte da vida de Renan, me botavam medo, angustia, desespero, pois elas pareciam ter uma vida normal, mesmo que sem Renan, o que eu não conseguia. Sentia-me sempre, depois que Renan partirá, sem um porto, sem um norte, sem sentido, não prestando atenção em nada, olhava para tudo com tanto desdém e meus olhos já não brilhavam. Parecendo sempre estar dentro de uma bolha flutuando sem parar, não via magia alguma em lugar algum, sempre fria, bruta, infeliz por dentro e por fora. Eu atravessava esses meses que aos poucos, tão lentamente se transformavam em bimestres escolares, trimestres empresariais, semestres de cursinho, inglês e aulas extras; e tão aos poucos se transformavam em anos, que se arrastavam e sem Renan, não pareciam passar. E eu tão pateticamente continuava ali no meio daquele mofo, daquela bolha, sem Renan, mas com tudo que um dia já fora dele. Às vezes, eu sentia seu cheiro e via partes que eram dele, nos outros, e quando acontecia isso me doía, meu calo latejava loucamente, assim como todas as cicatrizes latejam em dias chuvosos de agosto, ao longo desse lento e arrastado pouco mais de ano e meio e dos tantos mais que viriam sem Renan temo que a lembrança do seu rosto, corpo, alma e gigante coração desapareçam de mim.
... Talvez nós só estivéssemos assustados, assustados demais pra perceber que a dor não é da perda e sim do susto porque a gente sabe que um dia ou outro vai perder.
Talvez a gente só tenha crescido e a vida foi nos levando pra longe das brincadeiras que agora achamos sem graça. Mas ainda assim aqueles primeiros dias, meses, momentos sem ele atormentavam bastante.
Ou talvez ele fizesse mesmo essa falta enorme.
terça-feira, 2 de março de 2010
Além Alma (uma grama depois)
Meu coração lá de longe
faz sinal que quer voltar
Já no peito trago em bronze:
NÃO TEM VAGA NEM LUGAR.
Praque serve um negócio
que não cessa de bater?
Mais parece um relógio
que acaba de enlouquecer.
Pra que é que eu quero quem chora,
se estou tão bem assim,
e o vazio que vai lá fora
cai macio dentro de mim?
faz sinal que quer voltar
Já no peito trago em bronze:
NÃO TEM VAGA NEM LUGAR.
Praque serve um negócio
que não cessa de bater?
Mais parece um relógio
que acaba de enlouquecer.
Pra que é que eu quero quem chora,
se estou tão bem assim,
e o vazio que vai lá fora
cai macio dentro de mim?
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