sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Bom é ficar olhando a sala iluminada de um apartamento lá adiante, as pessoas tão inofensivas na rotina. Comem e não vejo o que comem. Falam e não ouço o que dizem, harmonia total sem barulho e sem braveza. Um pouco que alguém se aproxime e já sente odores. Vozes. Um pouco mais e já nem é espectador, vira testemunha. Se abre o bico para dizer boa noite passa de testemunha para participante. E não adianta fazer aquela cara de nuvem se diluindo ao largo porque nessa altura já puxaram a nuvem para dentro e a janela-guilhotina fechou rápida. Eram laços frouxos? Viraram tentáculos. Ah, que alegria quando fico aqui sozinha. Sozinha. Como chupar escondida um cacho de uvas.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

pequenos passos.
pequenas mudanças.
http://isasf.tumblr.com/

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

"Coisas assim, você sabe? Eu, sim: amar o mesmo de si no outro às vezes acorrenta, mas quando os corpos se tocam as mentes conseguem voar para bem mais longe que o horizonte, que não se vê nunca daqui. No entanto, é claro lá: quando os corpos se tocam depois de amar o mesmo de si no outro. Portanto, não se olham. E não sou eu quem decide, são eles. Não se deve olhar quando olhar significa debruçar-se sobre um espelho talvez rachado. Que pode ferir, com seus cacos deformantes."

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Eu sou assim, desejos pequenos.
sem muitos planos.
o presente e o passado já me pregam peças o suficiente
e depois o futuro é cheio de terrenos enganosos mesmo.


Preocupações pequenas, como se o prato vai sair da cozinha no tempo certo.
como o bolo ficar com a casquinha perfeita e macio de dar água na boca.
ano que vem? eu não sei, eu não sei.
deixa pintar, tudo flui.

mesmo que só depois de muito tempo possamos compreender.
as pessoas, as escolhas, os momentos.

amanhã tem aquele sol odioso nessa cidade freakshow
e nenhum de nós sabe se vamos estar vivos quando ele completar seu ciclo diário.


paisagens e passagens pequenas.
a garrafa de cerveja roubando o lugar do vaso e refletindo o anel de brilhantes
transpassa, ilumina o nariz de palhaço.

Palhaça que sou.
te roubaria o riso até o fim da vida.
É tudo pequeno agora.
pequenos passos que levam a direções incertas.
pequenos sorrisos pequenas palavras, pequenos beijos,
é tudo pequeno agora.

Pequenos pensamentos que não deveriam existir
no final desse agosto que leva algumas lágrimas.

pequenos gestos, pequenos toques.
pequenas palavras.
e uma imensidão de incompreensões.

porque agosto acabou e deveriamos estar amadurecendo
"É no varejo do dia a dia, para quem pisa nesse chão semântico, pavimentado de símbolos e metáforas, que a vida vai traçando as possíveis rotas de mudança. Oferecendo ao andante o licor da arte, às vezes doce, outras vezes amargo e, nos momentos mais cruentos, oferecendo-lhe a mão da poesia para segurar a metáfora em que se escorar."