
Sentada sob a janela entreaberta eu fico a sentir o cheiro de jasmim invadir meu quarto, enquanto o sol se põe e sob minhas costas a noite cai, eu fico observando a fumaça encontrar tão aos poucos o móbile de estrelas, aquele mesmo que eu fiz pensando em ti, a fumaça o invade lentamente sem que isso seja algo ruim. Mais ao fundo tem um emaranhado de fios, eu sempre, sempre, sempre perco o foco e me descubro analisando-os, atentamente e sempre descubro que todos têm seu inicio e fim, mas o que prende minha atenção é sempre o emaranhado, eu sempre, sempre, sempre perco o foco no emaranhado. A fumaça ainda invade lentamente o espaço das estrelas perfumando o ar com jasmim recém floridas. A brisa lenta que invade o quarto embala as estrelas como uma mãe embala seu recém nascido, tranquila. O cheiro, esse cheiro, esse cheiro refresca minha memória, mas eu não quero lembranças. Agora não, tudo que eu quero agora é continuar aqui parada, pateta, ridícula, vazia, esperando que essa maldita fumaça me transmita alguma paz, do mesmo jeito que você costumava fazer.