Eu que sempre tentei pintar e bordar ilusões sob o vazio que
trazia o silêncio, hoje prefiro permanecer calada. Uma vez que a palavra for
proferida causa danos irreparáveis, mesmo de longe ou a
longo-curto-ou-médio-prazo, você diria. A boca aberta, hoje, as monossilábicas
respostas. Fiz do meu silêncio o meu grito embora isso só tenha me feito
sangrar. Hoje é difícil conter a vontade de testar minhas assas, é claro que a
balança me dês-foca e depois viver distrai (ou destrói), antes fosse eu mesmo
me atirar, pois vivo em cima do muro. O muro que junto com todos eles e suas
migalhas construi e destrui tantas vezes, hoje não parece-me ter muita
importância. Tento inventar historinhas e mentir pra mim mesmo que vai ficar
tudo bem porque ninguém nunca soube como fazer isso no meu lugar. Então eu
disfarço e me minto e me re-invento, mas dessa vez vou tão calma, calada e de
mente vazia que nem me pareço comigo.