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tem uma meia lua ali
que sempre me deixa inteira
quando se nasce do mato, difícil sair do mato. mas ainda tontos a
cidade é grande e nos mata e nos ata e nos dá dois nós. e nós nos
deixamos e deixamos o mato que morava na gente e nos ensinava a respirar
e enquanto urbanos só aceitamos o que não se pode aceitar. e hoje só
suspiro de saudade da felicidade de quando desmatava minha solidão em
cada estrela que dormia comigo nas noites que fazia frio. mas frios
mesmos são os concretos nada discretos que fazem muros pra nos cercar
dentro dos dias tão barulhentos e sonolentos que são capazes de nem se
fazer notar. crescem eles imponentes na nossa cabeça tentando nos deixar
descrentes, fazendo a gente se apagar. mas aí a gente corre mata
adentro e vai embora o lamento, e e fica mais mais facil da lua brilhar.