quinta-feira, 8 de outubro de 2009
NONO FRAGMENTO DA DÉCIMA TERCEIRA VOZ
O gosto é bom, eu te dizia. E não impede a asa, a seta disparada em direção a Hydrus, Eridanus. Mas primeiro prova da terra. Depois, voa. Não aprendeste com Ícaro? Só não queiras tocar o Carro de Apoio. Ah quanta Ânsia Sufocante de Pureza. Quanta Mentira Adocicada. Lixo gritarei na tua cara, pura merda. Merda fedida de quem bebeu demais na noite anterior. Conheces bem a cor escura, o cheiro estranho de álcool. Não me venhas com Espiritualidades Transcendentais. Tenho mais nojo de tuas flores amarelas que de teu cu. Tua alma me importa menos que o cheiro de teu suor. Espera — também-não-é-tudo-assim-escuridão-e-morte, já dizia HH. Pára de te debater, não vais agüentar. A mulher dos comprimidosjá te olhou desconfiada. A garganta dói, provei o que não devia. A cabeça me pesa, pensei o impermitido. Tens que te movimentar no meio desses brilha recos. Tens que desmenti-los um por um. A cada dia assassinar o pai, estuprar a mãe. Pára de sonhar coloridices. Tenho asco de tuas fitas coloridas, teus perfumes. Foi assim que vocês todos morreram antes do tempo. Foi assim que eu não morri. Embora oco, estou no alto da torre, na Curva das Tormentas, as janelas abertas para que entrem todos os demônios. Os anjos também