quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Quarto fragmento da décima terceira voz
Me perdoa, não sei se conseguirei. Disse a ela, é necessário o escuro porque dele brota a luz. Como uma larva no interior visguento da crisálida, sem supor que a borboleta será seu próximo momento. Tão bíblico, ai, tão edificante. Toma cuidado, senão daqui apouco escreverás que viste uma pombinha branca cruzando mansamente os céus, talvez uses até o plural (não te atreverias a dizer “firmamento’ não?), e era sexta-feira, dirias. Faz parte o que vi, mas esquece. Tudo. Tenho vontade de trazê-la para cá, do morro em Santa Teresa. Ela não suportaria, não suporta estar desperta e ter emoções. O ar é muito puro, chega a doer nos pulmões, eu disse quando ele espatifou as doze xícaras. Nenhum de nós poderia voltar atrás. Nem avançar ou parar de contar. Eu era o décimo terceiro. E estava mudo. Tudo isso começou faz tanto tempo. Obliqüidade, transparências. Reflexos sinuosos, ninguém compreenderia. Não estás sofrendo. Estás ausente da dor, tudo é branco. A escolha foi tua. Tem um preço: este.